Pilates e a reabilitação pela fáscia

Pilates e a reabilitação pela fáscia

Bom condicionamento, força muscular, emagrecimento. São muitos os fatores que fazem do Pilates uma das práticas mais procuradas atualmente. Até mesmo a chegada da terceira idade tem movimentado a procura por este tipo de exercício. Mas hoje eu gostaria de escrever sobre uma outra razão pela qual o Pilates se tornou o queridinho dos fisioterapeutas: a reabilitação.
Especificamente, vou contar sobre como o Pilates é relevante na reabilitação pela Fáscia, envolvendo a possibilidade de reorganizar as condições de mobilidade e elasticidade do corpo. 

Um mecanismo completo chamado Fáscia

Nossos estudos mostram que o corpo funciona como um sistema integrado de caráter mecano-transdutivo. A fáscia forma uma extensa rede de elementos elásticos que funcionam como uma teia, mantendo o corpo tridimensionalmente estável. Devemos isso a dois aspectos fundamentais:

  • Sob compressão, o corpo responde expandindo.
  • Sob tensão, ele exerce uma atividade de tracionamento.

Este jogo entre compressão e tração realiza a tarefa de manter o sistema espacialmente estável. A substância fundamental (meio viscoso, hidrofílico e semelhante a um gel no qual as células e as fibras estão embutidas) tem a qualidade primordial de gerar uma expansão, enquanto as fibras de colágeno mantêm o sistema tracionado.

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Do ponto de vista mecânico, a substância fundamental atua como um elemento de separação e  deslizamento, permitindo que os diferentes tecidos, órgãos, vasos, nervos se mantenham livres para acompanharem os fluxos de movimento. Enquanto isso, o material fibroso estabiliza o conjunto de esforços de tração ao mesmo tempo que transfere carga de um ponto a outro do sistema. 

O momento em que trabalhamos com a condição de fluidez da substância fundamental é chamado de liberação fascial, enquanto os trabalhos com carga levam adiante a transmissão de força, criando as condições de coordenação do sistema motor.

Como se dá a Reabilitação

Quando um paciente chega ao consultório de seu terapeuta corporal com uma necessidade específica de reabilitação, seja por um adensamento, uma fibrose ou até mesmo uma cicatriz, over ou undertraining, isso significa que ele precisa reorganizar suas condições de mobilidade e elasticidade do corpo. Idade, sexo e até mesmo hábitos de vida também estão na lista de situações que podem ocasionar a perda da estruturação do sistema fascial. 

Como esta estrutura é composta por muitas camadas de tecidos com resistência tensional variável e material fluido, buscamos redirecioná-la com manipulação adequada e exercícios específicos.

O Pilates tem sido utilizado amplamente na reabilitação por auxiliar na articulação da coluna, organização da orientação dos movimentos da cabeça, pescoço e ombros, alinhamento direcionamento de esforço das extremidades, descarga distribuição de peso e integração do movimento. Os exercícios podem ser adaptados de acordo com a dificuldade do aluno e o grau da lesão.

Como trabalhar o Pilates dentro da reabilitação pela Fáscia

Trago algumas dicas para trabalhar a Fascia em seu programa de reabilitação. Vale lembrar que, no Pilates, as aulas podem ser realizadas todos os dias já que não há contraindicação – a menos que o quadro álgico seja incapacitante.

Foam roller

Você já deve conhecer os rolos de espuma especiais, os chamados foam roller. Eles são úteis para induzir desidratação temporária do tecido esponjoso localizado. Como resultado, você consegue estimular hidratação renovada. Para um resultado efetivo, é necessário monitorar individualmente a firmeza do rolo e a aplicação do peso corporal. Se aplicado corretamente e incluindo mudanças direcionais muito lentas e finamente sintonizadas, as forças do tecido e os benefícios potenciais podem ser semelhantes aos dos tratamentos de liberação miofascial manual (Chaudhry et al., 2008).

É possível que exista tecido fascial inibido ou dessensibilizado em locais mais escondidos do corpo. Esse tipo de estimulação para fáscia na reabilitação é muito relevante para os proprioceptores fasciais dessas regiões.

Alongamento dinâmico

O alongamento eficiente para trabalhar a fáscia na reabilitação é rápido, mas com movimentos fluidos. Lembre-se que os tecidos miofasciais podem ser danificados quando passam por movimentos bruscos ou repentinos. Por isso, o aquecimento é essencial.

Os alongamentos dinâmicos lentos devem ser utilizados para as cadeias miofasciais longas. 
Evite alongar grupos isolados: o ideal é envolver as cadeias miofasciais mais longas, sempre que possível, nos movimentos.

Combine o alongamento dinâmico e rápido com um contra movimento preparatório. Por exemplo, ao esticar os flexores do quadril, um breve movimento para trás pode ser introduzido antes de alongar e alongar dinamicamente para a frente.

Refinamento proprioceptivo

Um dos pontos mais importantes que devemos observar no treinamento de reabilitação pela fáscia é o princípio da propriocepção fascial. Afinal, o que ele significa?

Significa a capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. Este tipo de percepção permite a manutenção do equilíbrio postural e a realização de diversas atividades práticas. Resulta da interação das fibras musculares estruturas do complexo osteo-muscular-fascial, que trabalham para manter o corpo na sua base de sustentação, produzindo uma atividade de informações táteis e do sistema vestibular, localizado no ouvido interno.

É válido que o próprio paciente a compreenda. Assim, melhorar a propriocepção é uma meta para qualquer um que queira reduzir dores no corpo e até mesmo melhorar seu rendimento no esporte.

A chave para o entendimento sobre a propriocepção deriva da interação entre os planos e entre as chamadas linhas de tração neuromiofasciais, e envolve os mapas corporais.  Eles são emergências de atividades periféricas do cérebro que se organizam de maneira a estabilizar uma adaptação às diferentes partes do corpo – como o aplicativo Waze, que vai buscando resolver um problema de ajuste de movimento.

Se o cérebro usa esse mapa para decidir sobre como o corpo se move, quanto melhor e mais detalhado for o mapa, melhor e mais preciso será o movimento. Ao contrário, se o mapa  estiver pouco claro e difuso, a possibilidade de realizarmos movimentos diferentes será instável.

Prevenção de Novas Lesões

O Pilates é também muito importante para prevenir novas lesões e corrigir vícios posturais decorrentes das compensações por dor e incapacidade funcional. Ele ajuda a manter o corpo ativo, trabalhando a conexão mente e corpo sendo ajustada ao benefício de proporcionar ao aluno a elevação do seu bem-estar e ao aumento da consciência corporal.

Se a aula for em grupo de dois ou três alunos, ainda haverá o fator de socialização o que contribuirá para a redução do estresse emocional. Manter o corpo e mente ativos é fundamental visto que a patologia levará meses até a recuperação.

Trataremos mais sobre exercícios específicos nos próximos posts. Fique ligado!

 

Johannes Freiberg
Johannes Freiberg